Quem me conhece sabe que possuo uma certa afeição pelo inglês do início da idade Moderna. O inglês de Shakespeare (foto), como é chamado, devido a este ser provavelmente o autor mais conhecido por esta beleza idiomática.
Não pretendo dar uma aula aqui, já que uma simples googlada já vai ensinar a vocês os básicos do inglês do thou, do thee e do thy. Existe algo mais poético que estes três termos se referindo à segunda pessoa do singular e que as derivações adicionadas ao final dos verbos?
Observem uma tradução da época de uma frase bem conhecida de Cervantes:
Nesta mesma frase, “Diga-me com quem andas que eu te direi quem és.“, que no inglês atual ficaria “Tell me your company, and I´ll tell you what you are.“, fica bem clara a diferença do pronome sujeito, objeto e do possessivo e também a mudança na terminação da forma verbal are.
Mas não pensem que este inglês já está morto. Logicamente, ele não é mais falado normalmente em nenhum país, mas muito do conteúdo que nos cerca ainda se utiliza deste idioma estiloso, algumas vezes até com um tom satírico.
Muitos textos bíblicos, devido à uma tradução oficial para o inglês tradução ter sido feita nessa época, ainda mantém estes termos, o que faz com que muitas pessoas associem o inglês arcaico exclusivamente à Igreja. Um dos maiores exemplos são os dez mandamentos do livro de Êxodos. Observe a estrutura do primeiro e do nono:
Em vez do atual You shall ainda se encontra muitas cópias da Bíblia com a tradução na versão do Thou shalt.
Mas não é apenas a Bíblia que mantém o inglês arcaico vivo hoje em dia não. A sétima arte também contribui muito neste campo.
Em A Volta do Todo Poderoso, no final do filme Morgan Freeman, que interpreta o papel de Deus, faz uma piada recorrente ao resto do filme instituindo um novo mandamento. Logicamente, para ter sido citado nesta dissertação, foi usada a forma antiga da língua. O suposto décimo primeiro mandamento é o seguinte:
Num filme não muito recente, mas compensando a idade com a qualidade da trama, também é possível apreciar esta língua. Em Mudança de Hábito 2, o coral enquanto canta Joyfull, Joyfull é possível perceber as formas antigas do inglês na letra da canção:
Mas não é de filmes relacionados à Igreja em que é possível conviver com o inglês arcaico. O grande sucesso da Dreamworks, Shrek, também está repleto de expressões datadas dessa época. Nos três filmes já lançados é possível encontrar várias pérolas deste idioma. No terceiro filme, que está mais recente para eu me lembrar das sentenças é possível perceber, por exemplo, que durante a peça do Encantado (Rupert Everett) ele é incomodado por um coro cantando parabéns pra você da seguinte maneira:
É lógico que em Shrek não se pode levar tudo a sério. Nem sempre as construções estão corretas, e são apenas para passar a impressão da época. Por exemplo quando o Burro está na escola, ele recebe um trote e colam na traseira dele um bilhete com a seguinte inscrição:
Um exemplo de uma expressão moderna, adicionada de um prefixo arcaico para causar um efeito no público de aproximação com a época. É claro que a tradução para o português remove qualquer efeito desejado pelo roteirista.
Nossa, eu realmente estendi bastante este artigo, mas espero que aqueles que tiveram paciência de ler tenham se aproximado desta riqueza cultural e passem a prestar mais atenção em grandes produções que se utilizam deste artefato poético.

13/Fevereiro/2008 às 10:16 |
Olá! Li seu artigo e vi que talvez vc possa me ajudar. Vc sabe qual o texto original que corresponde ao trecho:
“Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isso não tem importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.”
“Dizem” ser atribuído a Sonhos de Uma Noite de Verão, mas não consigo achar .
Desde já agradeço.
ILENE
ilene777@gmail.com
13/Fevereiro/2008 às 12:35 |
Achei algumas versões em inglês, mas não parece nada oficial não. Não creio que seja de Sonhos de uma Noite de Verão também não. O original se encontra aqui:
http://en.wikisource.org/wiki/A_Midsummer_Night%27s_Dream
Não é possível encontrar nenhuma frase que passe essa idéia. =/
Boa sorte!
19/Setembro/2008 às 17:12 |
Deixo meu msn para podermso trocar ideias:
vitta_last@hotmail.com
23/Setembro/2008 às 16:21 |
Ei to pensando em fazer minha monografia sobre esse tema.
Você teria como me mandar algumas referências bibliograficas?
6/Outubro/2008 às 0:34 |
Realmente ficou bem dificíl para eu te dar algumas referências. Eu não me lembro de ter lido sobre isto em nenhum livro. O que eu escrevi aqui foi baseado mesmo em fatos que ex-professores e amigos meus me falaram e muita observação em filmes. Me lembro que na época que redigi este texto, cheguei a encontrar alguns sites na internet sobre isto, mas é óbvio que estes você também já deve ter achado, e não são fontes muito confiáveis para serem referências numa monografia.
Desejo-te boa sorte na pesquisa e descupa não poder ter sido mais útil.
30/Outubro/2008 às 22:56 |
destinies mends rifts in time as men etches anew
4/Março/2009 às 16:30 |
Boa tarde preciso de ajuda, estou tentando fazer uma pesquisa sobra a diferênça do inglês arcaico e o inglês moderno, aguardo contato.
Abraço,
Valteize.
8/Abril/2009 às 3:01 |
Olá, eu tenho uma pergunta. Eu gostaria de saber a origem dos auxiliares Do, Does e Did na forma interrogativa. Se alguém puder me ajudar, mande um e-mail pra mim. Desde já agradeço.
8/Abril/2009 às 3:01 |
Ah, meu e-mail é livia_ldg@yahoo.com.br