Fahrenheit 451

“Você precisa entender que nossa civilização é tão vasta que não podemos permitir que nossas minorias sejam transtornadas e agitadas. Pergunte a si mesmo: O que queremos neste país, acima de tudo? as pessoas querem ser felizes, não é certo?
(…)
É para isso que vivemos não acha? Para o prazer, a excitação? E você tem de admitir que nossa cultura fornece as duas coisas em profusão.”

Esse parágrafo me fez refletir muito hoje, sobre coisas que vão da censura à falta do hábito de ler, mas vou tentar me focar apenas na idéia do “carpe diem” que ele passa.
A nossa sociedade está de fato se encaminhando para o imediatismo. As pessoas querem coisas e querem agora. Como eu já li algures estamos na era do “eu mereço”. Eu não tenho nada contra essa idéia de felicidade passageira, o problema é que a maior parte das pessoas a conquista por não pensar, ou melhor, pensar no que a televisão quer que pense. Ou não pensa? Bem, esse debate não vem ao caso. As pessoas são capazes de perder horas de seus dias assistindo televisão: novela, futebol. Quem, além de um seleto grupo de pessoas, vai querer asssitir ao Discovery Channel e quem do pequeno grupo que quer pode bancar isso? Não muita gente, com certeza. Que incentivos a nossa sociedade dá ao teatro, à leitura? Praticamente nenhum. Por que? Porque são poucas as pessoas que se dão ao trabalho de ler um livro, são poucas as que desenvolvem um gosto real pela leitura, assim como são poucas as pessoas com paciência para assitir uma interpretação de Macbeth. É tão mais simples ficar em casa recebendo informações inúteis e frívolas. Mesmo agora na “era digital” (dos excluídos digitais também…) quantas pessoas se dão ao trabalho de pesquisar algo de útil? Orkut, Msn, é isso que chega às massas, porque essa é a moda. Você tem que ter isso. E tem que ter visto o último capítulo da novela. Afinal do que você espera que as pessoas falem com você? Einstein? Tudo isso é na verdade uma grande bola de neve. Livros são caros porque poucos leêm, poucos leêm porque livros são caros. Tudo isso foi “superado” no caso da indústria fonográfica, CD’s são caros pois bem, baixemos música na internet. Mas isso porque a música que a maior parte das pessoas ouve não é porque decididamente gosta, música toca no rádio. Livro não toca no rádio. Você tem que se dar ao trabalho de folheá-lo, de se concentrar, é diferente de baixar um funk no finado Kazaa e sair por aí dançando coisas como “Vai popozuda”. Isso é apenas diversão, é o aqui e agora. Ler te obriga a pensar, a refletir, com que intuito? Nenhum imediato. Bingo! Voltamos para nossa sociedade imediatista. Carpe diem, dizem eles. Têm alguma noção de onde vem essa frase? Não, é claro que não, mas ouviram e acharam bonito.”Reflete” o espírito deles, eles querem “pegar geral”, beber todas e por aí vai…
Depois desse meu desabafo revoltado, podem vocês voltar a seus afazeres, e eu aos meus. Ainda tenho muito o que ler!

PS: A frase carpe diem é de um poema do Horácio, grego.
PPS: Para quem não sabe Fahrenheit 451 é um livro, ok?

Postado por Thais

2 respostas para Fahrenheit 451

  1. Daniel disse:

    tsc… tsc… tsc… Essas pessoas que não lêem…

  2. Thais Adler disse:

    Pois é Daniel… pois é

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