Quanto mais eu espero, menos eu espero

31/janeiro/2008

É essa a idéia que os autores do curta-metragem O Paradoxo da espera do ônibus nos propõem. A exceção dos de alguns poucos sortudos (?) que não precisam andar de ônibus, todos entendem o que eles querem dizer. Esperamos o próximo ônibus ou vamos até o próximo ponto ou ainda pegamos aquele ônibus que pára mais longe? Dúvida cruel.

Parece que devemos esperar o próximo ônibus, entenda melhor assistindo ao vídeo:

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Inglês Arcaico na cultura atual

30/janeiro/2008

250px-ShakespeareQuem me conhece sabe que possuo uma certa afeição pelo inglês do início da idade Moderna. O inglês de Shakespeare (foto), como é chamado, devido a este ser provavelmente o autor mais conhecido por esta beleza idiomática.

Não pretendo dar uma aula aqui, já que uma simples googlada já vai ensinar a vocês os básicos do inglês do thou, do thee e do thy. Existe algo mais poético que estes três termos se referindo à segunda pessoa do singular e que as derivações adicionadas ao final dos verbos?

Observem uma tradução da época de uma frase bem conhecida de Cervantes:

  • “Tell me thy company, and I’ll tell thee what thou art.”

    Nesta mesma frase, “Diga-me com quem andas que eu te direi quem és.“, que no inglês atual ficaria “Tell me your company, and I´ll tell you what you are.“, fica bem clara a diferença do pronome sujeito, objeto e do possessivo e também a mudança na terminação da forma verbal are.

    Mas não pensem que este inglês já está morto. Logicamente, ele não é mais falado normalmente em nenhum país, mas muito do conteúdo que nos cerca ainda se utiliza deste idioma estiloso, algumas vezes até com um tom satírico.

    Muitos textos bíblicos, devido à uma tradução oficial para o inglês  tradução ter sido feita nessa época, ainda mantém estes termos, o que faz com que muitas pessoas associem o inglês arcaico exclusivamente à Igreja. Um dos maiores exemplos são os dez mandamentos do livro de Êxodos. Observe a estrutura do primeiro e do nono:

  • Thou shalt have no other gods before me.”
  • Thou shalt not bear false witness against thy neighbor.”

    Em vez do atual You shall ainda se encontra muitas cópias da Bíblia com a tradução na versão do Thou shalt.

    images2Mas não é apenas a Bíblia que mantém o inglês arcaico vivo hoje em dia não. A sétima arte também contribui muito neste campo.

    Em A Volta do Todo Poderoso, no final do filme Morgan Freeman, que interpreta o papel de Deus, faz uma piada recorrente ao resto do filme instituindo um novo mandamento. Logicamente, para ter sido citado nesta dissertação, foi usada a forma antiga da língua. O suposto décimo primeiro mandamento é o seguinte:

  • Thou shalt do the dance!”

    images  Num filme não muito recente, mas compensando a idade com a qualidade da trama, também é possível apreciar esta língua. Em Mudança de Hábito 2, o coral enquanto canta Joyfull, Joyfull  é possível perceber as formas antigas do inglês na letra da canção:

  • “Joyful, Joyful, Lord, we adore Thee. God of glory, Lord of love. Hearts unfold like flowers before Thee. Hail Thee as the sun above.”
  • images3Mas não é de filmes relacionados à Igreja em que é possível conviver com o inglês arcaico. O grande sucesso da Dreamworks, Shrek, também está repleto de expressões datadas dessa época. Nos três filmes já lançados é possível encontrar  várias pérolas deste idioma. No terceiro filme, que está mais recente para eu me lembrar das sentenças é possível perceber, por exemplo, que durante a peça do Encantado (Rupert Everett) ele é incomodado por um coro cantando parabéns pra você da seguinte maneira:

  • “Happy birthday to thee. Happy birthday to thee.”

    images4É lógico que em Shrek não se pode levar tudo a sério. Nem sempre as construções estão corretas, e são apenas para passar a  impressão da época. Por exemplo quando o Burro está na escola, ele recebe um trote e colam na traseira dele um bilhete com a seguinte inscrição:

  • “I suck-eth”

    Um exemplo de uma expressão moderna, adicionada de um prefixo arcaico para causar um efeito no público de aproximação com a época. É claro que a tradução para o português remove qualquer efeito desejado pelo roteirista.

    Nossa, eu realmente estendi bastante este artigo, mas espero que aqueles que tiveram paciência de ler tenham se aproximado desta riqueza cultural e passem a prestar mais atenção em grandes produções que se utilizam deste artefato poético.


  • Conceitos modernos: Mudar, escolher, decidir, errar e se arrepender

    29/janeiro/2008

    Há muito tempo que falo de mudanças. Muitos já ouviram minhas propostas de melhorias para minha personalidade. A grande maioria nem acredita mais. E eu ainda acredito? Tenho que acreditar. Ela garante esperanças para a vida, faz com que eu creia que ainda tem jeito. No fundo todo mundo gostaria de um ajuste em alguma parte da pessoa.

    Mas mudar não é fácil… E pior é quando a mudança parece ser urgente; quando a não execução dela parece te deixar em apuros, e até mesmo deixar outros em apuros também.

    Porém tem algo mais difícil do que a mudança: a indecisão. Imagine não ter a certeza do que quer ou do que é certo. Não conseguir ver se a mudança foi para melhor ou para pior. Caso possua duas faces, será que foi de fato vantajosa a recriação do seu caráter?

    Dizem que viver é fazer escolhas. E devido às escolhas que vocês fazem, surge um outro conceito: o arrependimento. Com ele, a vontade de corrigir as coisas; e quem sabe, mais arrependimento ainda, por ter piorado a situação. Logo, tentar acertar é uma outra escolha, que pode gerar outro arrependimento e que é um martírio pros indecisos.

    Nessa hora você entende o porquê de tantos filmes e livros sobre viagem no tempo. Quando o homem dominar essa quarta dimensão, os indecisos vão ter o que os falta: certeza. E os arrependidos, vão estar com os cotovelos saudáveis novamente. O mundo seria ideal, mas sem graça.

    Os erros ensinam, mas ensinam da pior maneira possível. É a maneia mais eficiente, diga-se de passagem, porém a que mais deixa marcas.

    Aproveito para fazer propaganda da minha próxima coluna de filmes quando pretendo continuar esse assunto comentando sobre “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças“.

    “Abençoados sejam os esquecidos, pois tiram o melhor de seus equívocos.”
    (Nietzsche)


    O material mais escuro

    29/janeiro/2008

    Cientistas norte-americanos anunciaram a pouco tempo a fabricação do material mais escuro do planeta que, segundo eles, absorve mais de 99,9% da luz.

    Esse material, constituido de tubos de carbono, é 30 vezes mais escuro que o carbono utilizado pelo NIST (Instituto Norte-Americano de Padrões e Tecnologia), sendo considerado o material que está mais próximo do preto “ideal”, capaz de absorver luz de todas as cores e não refletir.

    Segundo o Guiness Book a substância ainda é mais de 3 vezes mais escura que o material que possui o recorde, com o índice de reflexo de 0,0450%, enquanto a tinta preta tradicional possui de 5% a 10%. E os cientistas estão de olho nesse recorde, pretendendo candidatá-lo para a próxima edição do livro.

    Utilidade: pode ser usado na conversão de energia solar, detecção de infravermelho ou observação astronômica e mais tarde por militares dependendo do resultado do teste que será feito para descobrir o comportamento do material em relação a luzes ultravioletas e radiação emitida por equipamentos de comunicação.

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    Fonte: http://www.sidneyrezende.com


    Tendências musicais do verão

    25/janeiro/2008

    E não é de Summer Eletrohits de que estou falando não! O verão está aí, e nada como um passeio para longe da tv a cabo e do acesso à internet para me fazer aproximar do bom e velho rádio FM. Variando entre nove estações durante duas semanas inteiras me permitiu traçar um perfil comum à todas elas e perceber que na verdade o verão não variou muito no campo musical. Vamos à alguns destaques desta estação.

    Durante as noites, metade das rádios eram dominadas por música eletrônica, as quais eu não pretendo citar ou mesmo diferenciar aqui. Dentre as músicas que deram para anotar e distinguir, temos que destacar indubitavelmente Umbrella foi a mais tocada do verão. Foi bom saber, que nos dias de chuva, que, aliás, tentaram estragar as férias, eu podia contar com o guarda-chuva uva uva ê ê ê da Rihanna.

    Outra que está tentando tirar o reinado da Rihanna é a Fergie. Ela, mesmo desajeitada, está aparecendo em todas as emissoras, todos os dias com sua Clumsy. Não posso negar que o ritmo é muito bom. Inclusive é uma das minhas prediletas dela, mas receio que as rádios vão torná-la enjoativa devido ao excesso de exposição como fizeram com a já citada Umbrella.

    Britney Spears pediu mais e conseguiu. A batida incessante de Gimme More está onipresente nas rádios fluminenses. O que me lembra que Vanessa da Mata teve muita sorte mesmo ao gravar Good Luck com Ben Harper. Esta é outra que não se passava um dia sem ouvir.

    Tropa de Elite, depois do sucesso do filme “está chegando e vai passar” a música do mesmo nome do Tihuanna, tema do filme. Inclusive a versão exclusiva da Rádio MIX (e eram duas lá, das nove) remixada pelo André Ramiro.

    Sean Kingston depois de copiar se basear em Stand by me para o sucesso Beautiful Girls, agora fez de vítima homenageado nosso querido Led Zeppelin, “parodiando” D’yer M’ker e gravando Me love. Danni Carlos era outra sempre presente com a nova música Coisas que eu sei, uma melodia agradável.

    Não posso encerrar essa lista sem citar o mais citado de todos pelas rádios. Se tem alguém responsável pela programação musical da atualidade tem que ser o Timbaland. Com a Nelly Furtado está presente em Say it Right e Give it to Me, essa última com Justin Tiberlake. Os dois também estão em Ayo Technology com o 50 Cent e em The Way I Are, um erro gramatical gravado com Keri Hilson. Responsável pelos “Ê’s” de várias músicas, também contribui com sua vogal predileta para Apologize, música dele com o One Republic, mania deste fim de ano, depois de ser tocada na festa de Berlim. Eu particularmente adoro esta!

    É claro, que generalizar é sempre um erro, mas espero que vocês entendam que isso é apenas uma varrida bem superficial à respeito do que as rádios tiveram a oferecer nesse mês.

    Aproveito para avisar que estou de volta, e em breve estará aqui a coluna dos Filmes do Mês de Fevereiro!


    Viajar para dentro – Martha Medeiros

    19/janeiro/2008

    Os brasileiros estão viajando mais. Não só para Miami, Cancún e Nova York, mas também para o Nordeste, Pantanal e Rio de Janeiro. Pouco importa o destino: a verdade é que os pacotes turísticos e as passagens mais baratas estão tirando as pessoas de casa. Muita gente lucra com isso, como os donos de hotéis, restaurantes, locadoras de automóveis e comércio em geral. Alguém perde? Talvez os psicanalistas. Poucas coisas são tão terapêuticas como sair do casulo. Enquanto os ônibus, trens e aviões continuarem lotados, os divãs correm o risco de ficar às moscas.

    Lago Como

    Viajar não é sinônimo de férias, somente. Não basta encher o carro com guarda-sol, cadeirinhas, isopores e travesseiros e rumar em direção a uma praia suja e superlotada. Isso não é viajar, é veranear. Viajar é outra coisa. Viajar é transportar-se sem muita bagagem para melhor receber o que as andanças têm a oferecer. Viajar é despir-se de si mesmo, dos hábitos cotidianos, das reações previsíveis, da rotina imutável, e renascer virgem e curioso, aberto ao que lhe vier a ser ensinado. Viajar é tornar-se um desconhecido e aproveitar as vantagens do anonimato. Viajar é olhar para dentro e desmascarar-se.

    Pode acontecer em Paris ou em Trancoso, em Tóquio ou Rio Pardo. São férias, sim, mas não só do trabalho: são férias de você. Um museu, um mergulho, um rosto novo, um sabor diferente, uma caminhada solitária, tudo vira escola. Desacompanhado, ou com amigos, uma namorada, aprende-se a valorizar a solidão. Em excursão, não. Turmas se protegem, não desfazem vínculos, e viajar requer liberdade para arriscar.

    Viajando você come bacon no café da manhã, usa gravata para jantar, passeia na chuva, vai ao super de bicicleta, faz confidências a quem nunca viu antes. Viajando você dorme na grama, usa banheiro público, come carne de cobra, anda em lombo de burro, costura os próprios botões. Viajando você erra na pronúncia, troca horários, dirige do lado direito do carro. Viajando você é reiventado.

    É impactante ver a Torre Eiffel de pertinho, os prédios de Manhattan, o lago Como, o Pelourinho. Mas ver não é só o que interessa numa viagem. Sair de casa é a oportunidade de sermos estrangeiros e independentes, e essa é a chave para aniquilar tabus. A maioria de nossos medos são herdados. Viajando é que descobrimos nossa coragem e atrevimento, nosso instinto de sobrevivência e conhecimento. Viajar minimiza preconceitos. Viajando não têm endereço, partido político ou classe social. São aventureiros em tempo integral.

    Viaja-se mais no Brasil, dizem as reportagens. Espero que sim. Mas que cada turista saiba espiar também as próprias reações diante do novo, do inesperado, de tudo o que não estava programado. O que a gente é, de verdade, nunca é revelado nas fotos.

    Janeiro de 1998 – Jornal Zero Hora


    Ask a Ninja

    8/janeiro/2008

    Depois de uma pequena mudança de ares a que vos fala faz mais um post da leva de sites onde você obtem respostas. Dessa vez um site mais ninja, literalmente, o Ask a Ninja analisa tudo do ponto de vista de um deles, apesar de seus donos não serem iniciados nessa arte.