Z.É. – Zenas Enfileiradas

Brasileiro que é ufanista mesmo, adora uma fila. Isso não só já é senso comum, como se prova verdade a cada dia que passa. Eu como não poderia ser diferente, acordei numa bela manhã de domingo para enfrentar essa paixão que compartilho com a nação inteira.

Voltando para o plano real, vou narrar minha saga para vocês.

Tudo começou na chuvosa manhã (que depois vou descobrir que foi um dia chuvoso, a manhã era apenas o prefácio) deste domingo, dia 19. Incluído em uma série de eventos gratuitos promovidos pelo SESC Rio aqui na cidade, o espetáculo Z.É. – Zenas Emprovisadas saltou aos meus olhos. Quem me conhece sabe que sou completamente apaixonado por comédia, especialmente as de improviso.

Por ser uma pessoa extremamente precavida, e sabendo que a apresentação teria uma demanda de ingressos muito alta (diferentemente da oferta, que foi de apenas 220 convites), encaminhei-me ao local do evento semana passada, terça-feira se não me engano, e surpreendentemente descubro que os ingressos só seriam distribuídos no dia do evento, a partir das 9 da manhã.

Aconselhado por amigos, parto-me para o local neste domingo por volta das 7 horas, sendo recebido por uma chuva de vento daquelas que o guarda-chuva só serve para impedir que a metade superior do seu corpo se molhe.

Ao chegar no local, me deparo com mais de 200 pessoas esperando pela abertura da bilheteria, e como bom brasileiro honesto, me posiciono no final da mesma, posição a qual dentro de poucos minutos seria praticamente o meio dela.

O bom de filas é que todos se socializam com um assunto em comum, a fila propriamente dita. Você consegue abrir uma conversa com qualquer pessoa que esteja ali também.

Dez para as nove aparece um funcionário de terno (por sinal o atendimento do SESC é excelente, sem ironia, sério!) distribuindo senhas, e corta a fila 10 pessoas à minha frente, acabando com a esperança dos demais.

Sim, passei quase duas horas em pé numa chuva forte de vento. Metade do peso que eu carregava depois, era água.

Dos demais entre aspas, já que sou brasileiro e desisto só às vezes, volto quatro da tarde (duas horas antes do espetáculo) para enfrentar a fila de desistência. Ao chegar descubro que sou o terceiro. Neste momento sua mente começa a pairar sobre afirmações tentando convencer a si mesmo, como “Fique calmo, três pessoas vão faltar”, ou “Evento gratuito, muitos pegaram ingressos sem nem saber o porquê.”

Faltando meia hora para começar a peça, um grupo de amigos ao entrar e passar perto da fila de desistência, que nessa hora já tinha umas 50 pessoas, me oferecem um ingresso, que eles tinham sobrando.

Enfim, entrei, peguei uma mesa logo rente ao palco e vi os comediantes à pouco mais de dois metros.

Uma frase: Valeu cada segundo de fila e chuva.

(Aos que ficaram curiosos quanto à fila de desistência, eu teria consegui entrar mesmo assim; só que depois de 15 minutos de espetáculo)

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