O que faz um bom escritor?

Não sou crítica literaria, nem mesmo sei porque alguém deveria ler esse texto, mas andei pensando sobre algo que gosto muito: livros. O que faz com que eu goste de um livro?
Bem, poderia dizer que a historia é o ponto chave de uma obra literaria. Entretanto, assim como acontece com os filmes, pode assumir um papel secundario, apesar de ser um elemento importante, posso citar varios onde o enredo é patético, mas o resultado é ótimo. Por exemplo, o recém-lançado livro O Vendedor de Armas, do Hugh Laurie . A conhecida e batida historia de um sujeito que é incriminado, se apaixona pela mocinha e acaba salvando o mundo. Familiar, não? Já perdi a conta de quantas vezes vi chamadas de filmes com enredo similar ou de quantos livros a sinopse levava por esse caminho. Entretanto, este acabou sendo um dos melhores que li nos últimos tempos. Me ganhou na primeira página. Na verdade, no primeiro parágrafo. O estilo altamente sarcástico que o autor (e ator) imprimiu ao seu alter-ego era completamente irresistível, o tipo que consegue ser engraçado ao melhor jeito britânico de ser. Nessa mesma linha, cito um escritor americano, Rex Stout, com Archie Goodwin, o biógrafo de um detetive com uma curiosa obsessão por cerveja e completa aversão à mulheres. Além da ironia, os dois autores compartilham uma habilidade rara em escritores, fazer rir. Me corrijo, fazer rir sem se esforçar para ser engraçado. Fazer rir com o jeito claro e sem grandes firulas de escrever.
Por sinal, não florear muito os textos se mostrou uma excelente forma de me fazer gostar de um autor. Minha obsessão mais antiga, Sherlock Holmes, cujas historias foram criadas por Arthur Conan Doyle, apresenta essa característica, considerando que os textos foram escritos, no máximo, até o início do século XX, eles conseguem ser estupidamente claros e concisos até os dias de hoje.
Cortar parágrafos e capítulos parece ser característica essencial a um bom escritor. Um dos livros que mais me irritou durante a leitura foi O Senhor dos Anéis (que li em volume único, por isso o um), a jornada de Frodo narrada em trocentas páginas se mostrou um grande artifício do autor para tornar o livro maior. Certamente, haviam elementos importantes que precisavam ser narrados e que tomariam um grande número de páginas, mas não faço a menor questão de que me descrevam as cores das flores, o tipo de solo e outras características que não mudaram da paisagem a cada punhado de páginas.
Por outro lado, contextualizar e fazer com que as pessoas se sintam no meio da historia é primordial. E aí existe uma vasta gama de exemplos. Um deles, o do laureado Herman Hesse , é meu preferido. Em O jogo das contas de vidro, ele conseguiu me transportar para uma sociedade completamente fictícia e, ao mesmo tempo, verossímil e, além disso, incutiu um alto grau de crítica social na obra sem fazer com que parecesse um panfleto comunista, o que Kafka também consegue com maestria.
Percebo que até agora falei apenas de obras de ficção, mas, no momento, estou lendo um livro de não-ficção que apresenta praticamente todas as características já citadas, chamado Uma senhora toma chá, escrito por David Salsburg . Tem se mostrado uma leitura incrivelmente leve e agradável e, pasme, é um livro sobre estatística. Acho que isso apenas prova o ponto que eu levantei no inicio do texto, o de que o assunto do livro pode ser secundario. Contanto que o autor seja brilhante.

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