Desejo e Necessidade

23/maio/2010

“Navegar é preciso; viver não é preciso.”
(Pompeu)

     O ser humano difere de todos os demais por uma razão especial, o fato de ser racional. Este aspecto nem um pouco semelhante com nada visto em outras espécies, além de abrir portas para o desenvolvimento de ciências, descobertas importantes e invenções muitas das vezes grandiosas, também faz com que pensemos de uma forma única sobre o que queremos e do que precisamos.

     Usando este pensamento metalinguístico, se posso ter a licença de chamá-lo assim, vamos pensar e refletir sobre a maneira como nós pensamos e refletimos. Até onde o que sentimos por algo ou alguém é desejo ou é necessidade? Como isto nos difere de outros animais? Podemos dizer que as demais espécies têm a capacidade de desejar algo, ou é apenas necessidade?

     Segundo o dicionário Aurélio, desejo é “vontade de possuir ou de gozar”, enquanto necessidade é “aquilo que é inevitável, fatal, indispensável, imprescindível”. Teriam os animais desejos? O instinto seria uma forma de desejo ou uma necessidade da espécie? De qualquer forma o ser humano é o que possui mais desejo que os demais, isto caso os demais possuam sequer desejos.

     Muitas pessoas infelizmente não conseguem perceber a linha tênue que existe entre estes dois termos muito próximos e que em inúmeras vezes se fundem. Pior ainda, alguns ainda são capazes de misturar conceitos de gula, avareza e outros pecados capitais com desejo e, quiçá, com necessidade.

     Desejos são manifestações de nossa vontade. Temos desejo de ter uma casa maior, temos desejo de ter um carro novo e um televisor com imagem mais nítida. Não precisamos disto para viver. São meras commodities de nossa vida. Nosso viver não depende inerentemente do atendimento destas condições.

     Não podemos confundir estes conceitos de forma alguma. Principalmente ao não sermos capazes de atendê-los. Como diria o grande motivador Luiz Marins: “Se confundirmos ‘desejos não realizados’ com ‘necessidades não atendidas’, com certeza viveremos num grande sofrimento, pois que, pensando que desejos são necessidades, pensaremos não conseguir viver sem nossos desejos realizados”.

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