O que faz um bom escritor?

15/outubro/2010

Não sou crítica literaria, nem mesmo sei porque alguém deveria ler esse texto, mas andei pensando sobre algo que gosto muito: livros. O que faz com que eu goste de um livro?
Bem, poderia dizer que a historia é o ponto chave de uma obra literaria. Entretanto, assim como acontece com os filmes, pode assumir um papel secundario, apesar de ser um elemento importante, posso citar varios onde o enredo é patético, mas o resultado é ótimo. Por exemplo, o recém-lançado livro O Vendedor de Armas, do Hugh Laurie . A conhecida e batida historia de um sujeito que é incriminado, se apaixona pela mocinha e acaba salvando o mundo. Familiar, não? Já perdi a conta de quantas vezes vi chamadas de filmes com enredo similar ou de quantos livros a sinopse levava por esse caminho. Entretanto, este acabou sendo um dos melhores que li nos últimos tempos. Me ganhou na primeira página. Na verdade, no primeiro parágrafo. O estilo altamente sarcástico que o autor (e ator) imprimiu ao seu alter-ego era completamente irresistível, o tipo que consegue ser engraçado ao melhor jeito britânico de ser. Nessa mesma linha, cito um escritor americano, Rex Stout, com Archie Goodwin, o biógrafo de um detetive com uma curiosa obsessão por cerveja e completa aversão à mulheres. Além da ironia, os dois autores compartilham uma habilidade rara em escritores, fazer rir. Me corrijo, fazer rir sem se esforçar para ser engraçado. Fazer rir com o jeito claro e sem grandes firulas de escrever.
Por sinal, não florear muito os textos se mostrou uma excelente forma de me fazer gostar de um autor. Minha obsessão mais antiga, Sherlock Holmes, cujas historias foram criadas por Arthur Conan Doyle, apresenta essa característica, considerando que os textos foram escritos, no máximo, até o início do século XX, eles conseguem ser estupidamente claros e concisos até os dias de hoje.
Cortar parágrafos e capítulos parece ser característica essencial a um bom escritor. Um dos livros que mais me irritou durante a leitura foi O Senhor dos Anéis (que li em volume único, por isso o um), a jornada de Frodo narrada em trocentas páginas se mostrou um grande artifício do autor para tornar o livro maior. Certamente, haviam elementos importantes que precisavam ser narrados e que tomariam um grande número de páginas, mas não faço a menor questão de que me descrevam as cores das flores, o tipo de solo e outras características que não mudaram da paisagem a cada punhado de páginas.
Por outro lado, contextualizar e fazer com que as pessoas se sintam no meio da historia é primordial. E aí existe uma vasta gama de exemplos. Um deles, o do laureado Herman Hesse , é meu preferido. Em O jogo das contas de vidro, ele conseguiu me transportar para uma sociedade completamente fictícia e, ao mesmo tempo, verossímil e, além disso, incutiu um alto grau de crítica social na obra sem fazer com que parecesse um panfleto comunista, o que Kafka também consegue com maestria.
Percebo que até agora falei apenas de obras de ficção, mas, no momento, estou lendo um livro de não-ficção que apresenta praticamente todas as características já citadas, chamado Uma senhora toma chá, escrito por David Salsburg . Tem se mostrado uma leitura incrivelmente leve e agradável e, pasme, é um livro sobre estatística. Acho que isso apenas prova o ponto que eu levantei no inicio do texto, o de que o assunto do livro pode ser secundario. Contanto que o autor seja brilhante.


A Maior Piada Interna do Mundo

12/junho/2010

Nesta quarta-feira, dia 10/06, os brasileiros um pouco insatisfeitos com a narração do show da abertura da Copa na Rede Globo sendo feita pelo Galvão Bueno e pela Fátima Bernardes, começaram como de costume a twittar “Cala Boca Galvão”.

O volume de envios de mensagens com esta frase para o micro-blog foi tão grande que em minutos, este termo era o primeiro entre os “Trending Topics”, espaço onde o Twitter informa quais são os termos mais quentes do momento, através de quantidade de tweets.

Os americanos sem entender muito o porquê desta frase aparentemente sem sentido para eles, começaram a perguntar entre si o que viria a ser este “Cala Boca Galvao”. Brasileiros, por definição, são sacanas e não podemos deixar passar em branco essa oportunidade para anunciar a nova música da Lady Gaga com este título, fazendo todo o mundo exterior cair na que eu considero a maior piada interna do mundo.

Com o volume de tweets sobre isto o projeto foi se firmando e novos detalhes aparecendo. Aparentemente, agora, parte da renda gerada por este single irá ser encaminhada para o fictício Instituto Galvão, para ajudar a salvar os pássaros Galvão, em extinção aqui no Brasil.

De acordo com os usuários do serviço, “cala boca” em português significa “salvar”, e, portanto, “cala boca Galvão”, quer dizer “salvem o Galvão” no idioma nativo do Brasil.

Abaixo o pôster da campanha sem fins lucrativos para salvar a espécie ameaçada.

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Ajude você também a salvar o dito pássaro, twittando “CALA BOCA GALVAO” e contribuindo para esta campanha importante. De brinde você estará contribuindo ainda para a maior piada mundial que fui capaz de acompanhar na Internet.

Estou por aí, lendo alguns blogs americanos e no próprio Twitter, e como um bom brasileiro que adora o Galvão, rindo bastante desta situação. Ria um pouco também:

TwitterBlog Oficial da Lady Gaga (Americano)Texto de um brasileiro


Desejo e Necessidade

23/maio/2010

“Navegar é preciso; viver não é preciso.”
(Pompeu)

     O ser humano difere de todos os demais por uma razão especial, o fato de ser racional. Este aspecto nem um pouco semelhante com nada visto em outras espécies, além de abrir portas para o desenvolvimento de ciências, descobertas importantes e invenções muitas das vezes grandiosas, também faz com que pensemos de uma forma única sobre o que queremos e do que precisamos.

     Usando este pensamento metalinguístico, se posso ter a licença de chamá-lo assim, vamos pensar e refletir sobre a maneira como nós pensamos e refletimos. Até onde o que sentimos por algo ou alguém é desejo ou é necessidade? Como isto nos difere de outros animais? Podemos dizer que as demais espécies têm a capacidade de desejar algo, ou é apenas necessidade?

     Segundo o dicionário Aurélio, desejo é “vontade de possuir ou de gozar”, enquanto necessidade é “aquilo que é inevitável, fatal, indispensável, imprescindível”. Teriam os animais desejos? O instinto seria uma forma de desejo ou uma necessidade da espécie? De qualquer forma o ser humano é o que possui mais desejo que os demais, isto caso os demais possuam sequer desejos.

     Muitas pessoas infelizmente não conseguem perceber a linha tênue que existe entre estes dois termos muito próximos e que em inúmeras vezes se fundem. Pior ainda, alguns ainda são capazes de misturar conceitos de gula, avareza e outros pecados capitais com desejo e, quiçá, com necessidade.

     Desejos são manifestações de nossa vontade. Temos desejo de ter uma casa maior, temos desejo de ter um carro novo e um televisor com imagem mais nítida. Não precisamos disto para viver. São meras commodities de nossa vida. Nosso viver não depende inerentemente do atendimento destas condições.

     Não podemos confundir estes conceitos de forma alguma. Principalmente ao não sermos capazes de atendê-los. Como diria o grande motivador Luiz Marins: “Se confundirmos ‘desejos não realizados’ com ‘necessidades não atendidas’, com certeza viveremos num grande sofrimento, pois que, pensando que desejos são necessidades, pensaremos não conseguir viver sem nossos desejos realizados”.


Humor Britânico

21/maio/2010

Acho que todos sabem que os britânicos são famosos pelo seu humor inusitado, um dos precursores dessa fama foi o Monty Python , que fez escola. O que eu nunca tinha visto eram os sketches de Hugh Laurie, mais conhecido pelo Dr Gregory House, nessa área, até que o youtube me mostrou. Tenho que dizer que apesar de ser mais uma imitação do que algo original, o programa é bom, só me falta achar episódios completos agora. Alguém se habilita?

Nota: O vídeo não tem legendas e está em inglês.


Utilidade Musical

27/janeiro/2010

Eu não sei vocês, mas onde eu moro agora as rádios simplesmente não pegam. Se eu quiser ouvir rádio vou estar limitada às rádios evangélicas ou então à rádio local que toca funk, basicamente. Diante disso, sou obrigada a ouvir rádios online ou meu acervo de mp3 mesmo.
Por essas e outras, Radio Tuna é, oficialmente, meu site preferido.

A ideia (agora sem acento) de escolher o gênero da minha rádio online é ótima. Eu sei que existem 165465465484 sites/ programas que me oferecem isso, mas esse é simples, eficiente e me atende perfeitamente no momento. Sem atrasos, sem propagandas inesperadas, sem pop-ups, sem encheção de saco.


Como as garotas são…

18/janeiro/2010

Para quando você achar que entendeu alguma coisa…

Nota: Legendas em inglês.


Sherlock Holmes: filme vs livros (pt 1)

18/janeiro/2010

Sherlock HolmesAcho que todos sabem que recentemente foi lançado um esperado filme com o protagonista das histórias de Conan Doyle , o famoso detetive Sherlock Holmes e eu, como fã dos livros e do Mestre propriamente dito, vou me arriscar a falar sobre esse lançamento.

O filme tem ares de ação, comédia, romance (?) e sabe-se lá mais o quê. Tem muitas referências à Londres vitoriana, sem forçar nenhuma, ao contrário do que  acontece na maior parte dos filmes ou livros recentes que tentam retratá-la. Isso, por si só, já seria uma grande qualidade. O cenário está excelente, conseguiram captar a essência de confusão de Londres, “essa grande cloaca para a qual todos os vagabundos e ociosos do Império são irresistivelmente drenados” [Watson, Um Estudo em Vermelho ]. Está certo que para isso eles devem ter contratado uma enormidade de figurantes e quando sair o dvd eu vou me certificar se são os mesmos em todas as cenas.

A trilha sonora, que eu já tinha feito o download antes do filme, é boa.  Nenhuma que me marcasse como as de Quem quer ser um milionário? , mas acima da média. Ressalva aqui para a excelente música irlandesa na cena de luta que não estava na trilha sonora oficial, pretendo descobrir o nome.

O enredo envolve uma sociedade secreta que rege silenciosamente o Império, sua tentativa de dominar o mundo (só eu acho estranha essa obssessão dos vilões em dominar o mundo?) e possíveis feitiços que levariam a esse propósito maior. Nada muito diferente do que aparece em vários casos do famoso detetive. Seja em Um Estudo em Vermelho ou As Cinco Sementes de Laranja (link em inglês) o sobrenatural e o ar de mistério tendem a estar presentes, sempre sendo desatados os nós pelas deduções de Sherlock Holmes. Mesmo não me apresentando nada absolutamente inédito no enredo,  ganharam créditos comigo 1. por não tentarem refilmar as histórias originais (estamos bem servidos em relação à isso com o seriado da Granada (link em inglês) ), 2. por não tentarem colocar Sherlock Holmes como uma figura mítica que resolve o caso só de olhar para o vilão (como acontece nos filmes com Basil Rathbone ).

A segunda parte deste post  trata sobre os personagens do filme e será publicada em breve. ;D